terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Justiça determina retorno imediato dos policiais


A desembargadora Sérgia Miranda, do Tribunal de Justiça do Estado, determinou o retorno imediato dos militares ao trabalho. O não cumprimento pode acarretar o pagamento de multa diária.
A paralisação de policiais e bombeiros militares do Ceará sofreu um golpe no início da noite de ontem. A desembargadora Sérgia Miranda, do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-CE), determinou o retorno imediato dos militares ao trabalho. O não cumprimento da determinação pode acarretar o pagamento de uma multa diária de R$ 500 por cada policial que esteja parado e R$ 15 mil por cada associação envolvida na organização do movimento grevista.



Ainda ontem à noite, o procurador-geral do Estado, Fernando Oliveira, foi informado da ordem judicial. Para basear a decisão, a desembargadora Sérgia Miranda alegou o caráter de inconstitucionalidade da greve dos militares, além de considerar o movimento dos policiais um crime e uma infração militar.

No quartel da 6ª Companhia do 5º Batalhão (BPM), no Antônio Bezerra, policiais e bombeiros, aquartelados desde a última quinta-feira, realizaram uma assembleia após serem comunicados da determinação do TJ.

Um dos líderes do movimento, capitão Wagner Sousa, colocou duas propostas em votação para centenas de PMs e bombeiros presentes. A primeira de que os manifestantes deveriam deixar o quartel, dessem fim à paralisação e retornassem às suas residências. A segunda de que os militares permanecessem aquartelados e continuassem a greve.

A segunda opção foi escolhida por unanimidade e os manifestantes decidiram dar sequência ao acampamento no quartel da 6ª Companhia. “Isso só mostra que a nossa mobilização está forte e só vai ceder diante do atendimento das reivindicações”, reforçou o capitão Wagner.

Novas adesões

Ontem, o movimento dos militares recebeu novas adesões de policiais. Desta vez, de integrantes da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), um dos poucos setores da Polícia Militar que ainda não tinha participado das manifestações.

No domingo à tarde, policiais do Raio, considerado como tropa de elite da PM, já tinham reforçado o comando de greve no Antônio Bezerra. “Só está faltando o Batalhão de Choque aderir por inteiro. Queremos chegar a 100% de adesão”, ressaltou Pedro Queiroz, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar do Ceará.





ENTENDA A NOTÍCIA

Diante da decisão da desembargadora Sérgia Miranda para que os militares retornem ao trabalho imediatamente, os manifestantes decidiram resistir e dar continuidade à greve da PM e Bombeiros.



Saiba Mais



Os policiais civis também ameaçam paralisar as atividades em 100%.

Em conversa com O POVO, a presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpoci), Inês Romero, disse que a categoria está inconformada com o fato de o Governo não ter cumprido as promessas de melhorias, feitas durante a greve de cinco meses e meio.

Para hoje, está prevista uma assembleia para deliberar sobre a nova paralisação. O encontro acontecerá na sede do Sinpoci, no Centro de Fortaleza.


Segundo Inês Romero, os policiais civis cearenses têm o menor contingente e o menor salário do País. “A categoria está pedindo para parar, porque o Governo liberou nada da nossa pauta”, argumenta.
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